O Brasil precisa pensar em si mesmo de acordo com sua dimensão. Somos um país continental, com enorme população, vastos recursos naturais, grande mercado consumidor e posição estratégica privilegiada. Essas características nos conferem condições objetivas para exercer uma liderança mais ativa sobre a América Latina, em vez de nos comportarmos como apenas mais um país da região.
Essa liderança poderia se traduzir em um grande projeto de desenvolvimento latino-americano. O Brasil possui capacidade industrial, agrícola, energética, tecnológica e financeira para impulsionar investimentos em infraestrutura, integração energética, transportes e cadeias produtivas regionais.
Para desempenhar esse papel, entretanto, o próprio Brasil precisa se desenvolver. Um país que pretende liderar a região precisa superar sua dependência tecnológica, fortalecer sua indústria, investir em ciência e infraestrutura e construir uma economia capaz de sustentar sua influência internacional. A liderança externa começa pela capacidade de organizar e desenvolver o próprio país.
O Brasil, portanto, não deveria buscar uma América Latina subordinada e dependente, mas uma América Latina desenvolvida sob sua liderança. Sua grandeza territorial, econômica e demográfica lhe confere não apenas oportunidades, mas responsabilidades. O país precisa abandonar a modéstia geopolítica e compreender que pode — e talvez deva — assumir o papel de principal potência latino-americana, transformando sua força em desenvolvimento e estabilidade para toda a região.